Moção de Repúdio às
declarações do influenciador MC
Oruam por práticas de
discriminação, violência política
e apologia ao estupro contra a
Vereadora Amanda Vetorazzo
(União) de São Paulo.
Requer à Mesa, na forma regimental, seja inserido em ata a moção de repúdio às declarações do influenciador MC Oruam por práticas de discriminação, violência política e apologia ao estupro contra a Vereadora Amanda Vetorazzo (União) de São Paulo.
Palácio Rio Branco, 04 de fevereiro de 2025
Ver.João Bettega Verª.Andressa Bianchessi
Ver.Bruno Secco Ver.Da Costa do Perdeu Piá
Verª.Delegada Tathiana Guzella Ver.Eder Borges
Ver.Guilherme Kilter Ver.Renan Ceschin
Ver.Rodrigo Marcial Verª.Sargento Tania Guerreiro
Justificativa
A Câmara Municipal de Curitiba, por meio desta moção, manifesta repúdio às ações de MC Oruam, filho do Marcinho VP (lider da facção criminosa Comando Vermelho) e sobrinho do Elias Maluco (assassino confesso do
jornalista Tim Lopes), que, ao discordar das ideias políticas da Vereadora Amanda Vetorazzo, incentivou sua base de seguidores a ameaçá-la de morte nas redes sociais, configurando prática evidente de violência política de gênero.
Aliás, Oruam ostenta uma tatuagem destes mesmos criminosos, integrantes da maior facção do crime organizado do Rio de Janeiro.
A violência política contra mulheres, especialmente aquelas que ocupam cargos públicos, constitui grave afronta aos princípios democráticos e fere a igualdade de gênero, como previsto na Lei Federal nº 14.192/2021. O ataque, além de desrespeitar a dignidade da Vereadora, busca silenciá-la e inibir seu pleno exercício da atividade parlamentar.
É inadmissível que figuras públicas, claramente ligadas ao crime organizado, utilizem sua influência para disseminar discursos discriminatórios e fomentar práticas que minam a representatividade feminina na política. Este comportamento não só fere os direitos individuais da parlamentar como também compromete o avanço de uma sociedade justa e igualitária.
Após a vereadora Amanda Vettorazzo propor um projeto de lei visando proibir a contratação de artistas que fazem apologia ao crime organizado, o rapper Oruam reagiu de forma agressiva. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, ele afirmou: “Tu vai proibir é o c. É só não falar meu nome, se não, você vai conhecer o capeta”. Além disso, Oruam compartilhou o perfil da vereadora e incentivou seus seguidores, conhecidos como “Tropa do 22”, a vereadora e incentivou seus seguidores, conhecidos como “Tropa do 22”, a interagirem com ela, dizendo: “Tropa do 22, vamos dar fama pra ela”. Ainda assim, no dia 27/01, o influenciador @raulzeira22 disse: “Alguém come ela pelo Amor de Deus, dá “Jack pra ela”. As palavras foram repetidas, reafirmadas e postadas na página do Instagram do rapper @oruam, conforme vídeo em anexo. No contexto das prisões, “Jack” é uma gíria que se refere a estupro e violência sexual e criada nas penitenciárias brasileiras. O “jack” é o estuprador, e “tomar jack” é uma referência a ser estuprar. Após essas declarações, a vereadora recebeu diversas ameaças, incluindo mensagens como: “Alguém como ela pelo amor de Deus” pelo mesmo @raulzeira22, “Vai tomar no C, tua pir, galinha, sua safada. Aqui é o RJ,
vai tomar Jack só na cara”, e diversos outros comentários nas páginas da chamada “Tropa do 22”.
Por fim, exigimos respeito às mulheres eleitas democraticamente e conclamamos as autoridades competentes. Desta feita, a poucos dias tivemos um evidente abuso moral por conta do Blog do Tupan, com o texto intitulado
“Vereadoras sexualizam na posse”, que desrespeita de forma flagrante a dignidade, a honra e o papel institucional das vereadoras desta Casa. O teor do texto é inaceitável e reforça estereótipos que minimizam a atuação política das mulheres, reduzindo-as a aspectos físicos e tentando desviar o foco de sua competência e compromisso com a sociedade. Esse tipo de abordagem, além de ofensiva, vai contra os princípios constitucionais de igualdade, dignidade e respeito, fundamentais em uma democracia. Agora, no mesmo mês, já temos mais uma denúncia envolvendo mulheres na política, agora em outra cidade do país.